O WTC BH Clube de Negócios, por meio do Conselho Consultivo e Comitê de CLevel Meeting, trouxe para palestra em Belo Horizonte, o ex-presidente do Banco Central do Brasil, Gustavo Loyola. Evento aconteceu dia 26 de novembro, no Automóvel Clube de Minas Gerais. Com o tema “Perspectivas da Economia Brasileira em 2011”, Loyola falou sobre as dificuldades da economia internacional, os desequilíbrios nos países desenvolvidos, o problema do câmbio e os riscos das políticas lá fora, que podem influenciar a economia aqui no Brasil. Sobre a economia brasileira, Loyola apontou os desafios e riscos que o governo Dilma deverá enfrentar na área fiscal e na manutenção do crescimento do PIB.
Gustavo Loyola foi Presidente do Banco Central do Brasil por dois mandatos — nos períodos de novembro de 1992 a março de 1993, e de junho de 1995 a agosto de 1997—. Atualmente é sócio e diretor da Tendências Consultoria Integrada — empresa de consultoria econômica e política sediada em São Paulo — e membro do Conselho de Administração de várias empresas.
Perspectivas para 2011:
- Há incentivos políticos para a manutenção da responsabilidade macroeconômica.
- Os principais riscos a um cenário positivo são a má condução da política fiscal e perda da autonomia do BC.
- O crescimento da economia volta ao potencial em 2011 (4,8%).
Emprego e renda real em alta: massa salarial cresce 5,3% em 2011 (6,5% em 2010)
- Produção industrial: + 5,7 % (+ 11%% em 2010); vendas no varejo: + 5,0% em 2011 (+ 10,3% em 2010).
- Taxa de câmbio relativamente estável, em termos reais.
- Inflação acima da meta de 4,5%, mas ainda na banda de tolerância, 5,5% (5,3% em 2010).
- BC sinaliza manutenção dos juros em 10,75% até o final do ano. Novas altas necessárias em 2011.
- Crédito continuará crescendo com força (PF: + 8,45 % e PJ: +5,4%, em 2011).
Confiança do Consumidor:
- A confiança do consumidor voltou a atingir patamares recordes sustenta o aumento de demanda.
Mercado de Trabalho:
- Ocupação já está acima do nível pré-crise. Desaceleração nos últimos meses reflete desaceleração da economia.
- Durante a crise, o desemprego subiu menos que o esperado pela estabilidade da População Economicamente Ativa (PEA). Em 2010, a recuperação do emprego veio com crescimento da PEA, limitando queda da taxa de desemprego.
- Projetamos alta de 3,6% para a ocupação em 2010 e 2,5% em 2011. Para a taxa de desemprego projetamos 6,9% para 2010, 6,3% para 2011.
Renda e Massa:
- O rendimento nominal deve crescer 7,8% em 2010 e 8,1% em 2011.
- Já o rendimento real deve se expandir 2,8% em 2010 e 2011.
A massa real de salários deve subir 6,5% em 2010 e 5,3% em 2011.
Produção Industrial:
- Em julho, houve recuperação na margem (0,4%), após queda de 1,0% em junho. O patamar é 10,0% acima de julho/09, e está -1,3% abaixo do patamar de setembro/08 (pré-crise)
- O segundo trimestre cresceu 1,3%, após crescimento de 3,0% no primeiro trimestre.
- Em termos de anuais, em 2009 houve queda de 7,4% na indústria, para 2010, projetamos +11,0%; e para 2011 +5,7%.
Consumo:
- Em julho as vendas cresceram 0,4%, após alta de 1,0% em junho. Patamar atual está 10,1% acima do mesmo mês do ano anterior e 12,7% acima de setembro/08.
- Para 2010 projetamos alta de 10,3% e para 2011 alta de 5,0%, reflexo das boas condições no mercado de trabalho, do crédito e o alto patamar da confiança do consumidor.
- Para 2011, alta nominal deve ser ao redor de 11,5% (contra 15,8% de 2010).
PIB:
- No primeiro trimestre economia cresceu 2,7%, com 1,2% de alta no segundo. Para o ano projetamos alta de 7,2%, com altas de 0,8% nos próximos trimestres.
- Crescimento potencial do Brasil está entre 4% e 4,5%. Dinâmica atual leva a pressões inflacionárias.
Expectativas – Inflação:
- Expectativas de 2010 recuaram devido a inflação corrente baixa, mas este movimento deve perder força ao longo das próximas semanas.
- Expectativas de 2011 começaram a se deteriorar após sinalização do BC de fim do aperto monetário, dado que boa parte do mercado não concorda com o diagnóstico do BC. Movimento deve continuar.
Política Monetária:
- Na nossa percepção, fim do ciclo de alta de juros é prematura, dado que desaceleração do crescimento e queda da inflação são temporários.
- Retomada do crescimento elevará inflação e deteriorará expectativas, o que levará o BC a novos aumentos dos juros em 2011.